Antes de mais nada, vale fazer uma análise de países que deram calote para entender como esta ideia está distante do cenário brasileiro. Como o caso da Grécia no ano passado.
Um dos motivos que levou o governo grego ao colapso foi o fato da dívida estar em Euro, moeda que o país não pode emitir. A emissão de dinheiro é de responsabilidade do Banco Central Europeu – ou seja, quando as reservas internas da Grécia acabaram, a dívida inchou e o governo não teve mais condições de honrar seus compromissos.
No Brasil, por outro lado, a dívida interna é paga em reais. Ou seja, ainda que o déficit do país esteja crescendo, há sempre a opção de emitir mais títulos públicos e incentivar a população a investir nestes papeis para pagar a dívida ou até emitir moeda. Claro que a emissão de reais e injeção de dinheiro na economia se traduziria em inflação e até alta do dólar, mas isso ainda estaria longe de ser considerado um calote.
Devemos lembrar que há títulos indexados à inflação que ainda protegeriam o investidor nesse cenário. Alimentar este receio de calote, em parte sem fundamento, só vai aumentar a especulação no mercado e pressionar a cotação do dólar para cima, o que ajudaria a piorar o cenário econômico.
Fonte: G1 — 07/03/2016