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16/05/2017 Márcia de Chiara 1.828 leituras

Cresce desemprego entre os aposentados

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), a desocupação entre os brasileiros com 59 anos ou mais atingiu 5,2%
Faz dois anos que o aposentado especialista em informática Antonio Roberto da Silva, de 61 anos, desistiu de procurar trabalho. Após obter a aposentadoria, em novembro de 2011, ele conseguiu se recolocar rapidamente no setor bancário, onde tinha experiência. “Naquela época a economia estava aquecida, havia bastante projeto”, lembra.
Em 2012, o Brasil vinha de dois anos seguidos de crescimento acumulado de mais de 12% e havia “apagão” de mão de obra. “Existiam muitas vagas e faltavam profissionais qualificados para preenchê-las.” Mas, no ano seguinte, Silva sentiu a reviravolta da economia. O projeto no qual trabalhava foi concluído e, de lá para cá, o especialista, com mestrado em informática, não encontrou uma vaga de trabalho.
A dificuldade enfrentada pelo aposentado está estampada no índice trimestral de desemprego medido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No último trimestre do ano passado, a desocupação entre os brasileiros com 59 anos ou mais atingiu 5,2%.
Apesar de apresentar a menor taxa de desemprego em termos absolutos comparado com as demais faixas etárias, o indicador de desocupação dos trabalhadores idosos mais que dobrou de 2015 para 2016 e registrou a maior variação.


No último trimestre de 2015, a taxa estava em 2,5% e, no mesmo período do ano, passado atingiu 5,2%. O recorte do desemprego por faixa etária é apurado pelo IBGE apenas para os trimestres fechados. O último dado disponível é o do quarto trimestre de 2016.
A economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Maria Andréia Parente Lameiras, responsável pelo estudo do mercado trabalho, observa que o desemprego entre os mais velhos aumentou apesar de a ocupação para essa faixa etária ter também crescido 1% no mesmo período. “É que existe mais gente com idade superior a 59 anos procurando emprego”, observa.

Fonte: Estadão — 15/05/2017

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