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Anuncio de empréstimo de dinheiro na Rua São Bento, em São Paulo Eduardo Knapp
18/07/2017 TÁSSIA KASTNER 2.197 leituras

Consumidor tenta ir às compras, mas esbarra em crédito negado

Brasileiros começam a esboçar alguma disposição a voltar a comprar, mas ouvem "não" de lojas e instituições financeiras quando pedem para parcelar os gastos.


Levantamento do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) mostra que aumentou o número de pessoas que buscam crédito, mas não conseguem o empréstimo.


Dos consumidores que tentaram comprar a prazo em maio, 64% tiveram o pedido rejeitado. Em janeiro, primeiro mês do levantamento, 42% ouviram respostas negativas.


Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, as rejeições refletem uma alta na busca por crédito.


"A pessoa até resolveu que pode trocar a geladeira agora, mas teve o crédito negado", afirma Kawauti.


Essa situação afeta a recuperação da economia, já que um dos motores da retomada é o consumo, represado pela dificuldade de acesso a financiamento da população.


As vendas do comércio em maio, mês tradicionalmente bom para o varejo devido ao Dia das Mães, tiveram queda inesperada de 0,1% sobre abril, segundo o IBGE. O setor de tecidos, vestuário e calçados foram as que mais sofreram, com queda de 7,8%.


Os juros, por sua vez, subiram. O custo médio do crédito pessoal cresceu 3,4 pontos percentuais entre abril e maio, segundo o Banco Central, para 132,6% ao ano. Até a linha para quem busca renegociar dívidas aumentou, dificultando a saída de cadastros de inadimplentes.


NOME SUJO


Nome sujo na praça e dificuldade para comprovar renda são os principais entraves no acesso ao crédito, segundo a sondagem do SPC, que ouviu 800 pessoas no país.


Desde o início da crise econômica, que deixou 14 milhões de desempregados e 60 milhões de consumidores nos cadastros de devedores, instituições financeiras e varejistas se tornaram mais criteriosas, com medo de calotes.


"O crédito só vai destravar quando o risco diminuir. [Bancos e varejo] só vão relaxar quando o consumidor tiver mais dinheiro no bolso", acrescenta Kawauti.
A Serasa aponta que cada pessoa com nome negativado tem, em média, quatro dívidas registradas em birôs de crédito, sobretudo de contas de consumo, como água e luz.
O mercado contrata esses birôs -empresas que armazenam informações dos consumidores- para saber se um cliente tem boas chances de honrar os pagamentos.
Vander Nagata, vice-presidente de informações ao consumidor da Serasa, diz que nome sujo não significa o fim do acesso a crédito.


"Há varejistas com clientes negativados, mas com histórico bom de pagamento. Porém, para quem já está inadimplente, é colocada uma sobretaxa [de juros]", afirma.


SEM CREDORES


Quem está com o nome sujo precisa negociar com seus credores. Para saber para quem está devendo e qual é o valor total, é possível consultar os dados no site dos birôs de crédito e de cartórios de protestos (veja quadro abaixo).


Após renegociar as dívidas e pagar a primeira prestação, a empresa tem até cinco dias úteis para tirar o nome do consumidor da lista suja.


Neste ano, os birôs começaram a informar ao consumidor o seu score de crédito-uma nota que informa o risco de ele não pagar a dívida, antes divulgada apenas aos comerciantes.


O objetivo, dizem, é conscientizar o consumidor do estrago que uma dívida registrada no CPF pode causar na sua vida financeira.


A recusa do crédito hoje é atribuída a um score ruim.


A nota vai de 0 a 1.000, dependendo do histórico de dívidas, idade, renda e contratação de outros produtos, como seguros. Na Serasa, o score médio do brasileiro é de 485 pontos, dentro da faixa de risco médio.


Credores também podem protestar a dívida em cartório, instrumento para futura cobrança judicial de dívida.


Nesse caso, quem paga as despesas é o consumidor, quando pede uma certidão de débitos e para ter o nome excluído do protesto.


A consulta ao cadastro é gratuita.


Fonte: Folha Online — 17/07/2017

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