Pular para o conteúdo principal
15196547995a94178f850cd_1519654799_3x2_xl.jpg
Retrato do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em evento em Brasília O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em evento em Brasília
27/02/2018 Flavia Lima 1.789 leituras

Lojista pode continuar com parcelado, mas custo tem que ficar claro, diz BC

Presidente do BC defendeu incremento de empréstimos com garantia para reduzir custo do crédito


O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta segunda-feira (26) que estuda como reduzir os juros do cartão de crédito com associações e lojistas, de forma a mexer no sistema para reduzir distorções e subsídios cruzados.


“Se coloca que nós queremos acabar com o financiamento ao lojista. De jeito nenhum, disse ele. O que o Banco Central quer é acabar com a ideia de que há algo sem juros, principalmente no Brasil que os juros não são tão pequeninos”, disse.


“Lojista pode parcelar, tudo continua valendo, mas tudo tem custos e isso precisa ser endereçado de alguma forma”, emendou.


Goldfajn reforçou que o BC não decidiu ainda o que fazer com o parcelado sem juros do cartão, mas “as soluções não são fáceis”.


O setor de cartões estuda uma alternativa ao parcelamento sem juros, como taxas diferenciadas de acordo com o perfil do cliente, mas enfrenta resistência dos lojistas que temem, dentre outros pontos, perder clientes.


EMPRÉSTIMO COM GARANTIA


O presidente do Banco Central defendeu também o incremento dos empréstimos feitos com garantia para reduzir o custo do crédito no Brasil. Como exemplo, ele citou as hipotecas e o crédito consignado, cuja garantia é o salário de quem toma o empréstimo.


“A queda do custo do crédito depende da universalização das garantias para todos os empréstimos”, afirmou.


Em evento na Câmara Espanhola, Goldfajn disse que o custo do crédito no Brasil está em queda. Segundo ele, os juros para o consumidor final caem em velocidade maior do que a taxa básica de juros (Selic), embora o ritmo atual de redução não seja suficiente para devolver toda a alta acumulada durante a crise.


INFLAÇÃO


Goldfajn disse ainda que hoje a inflação caminha em direção à meta, devendo chegar aos 4%, 4,2% nos próximos meses.


Ele reconheceu que o BC teve sorte com a desinflação dos preços de alimentos, mas disse que não é recomendável combater choques sobre os quais não há controle.


Goldfajn disse que o cenário externo é benigno, mas que o Brasil não pode contar com isso “perpetuamente” e precisa continuar com os ajustes necessários, em referência à reforma da Previdência.


NÃO SOU BANQUEIRO


Goldfajn ouviu críticas da plateia aos juros ainda altos do Brasil arbitrados, disseram, por um Banco Central presidido por um “banqueiro”, e rebateu.


“Em primeiro lugar, deixa eu colocar os pingos nos 'is'. O BC determina a taxa básica da economia e isso não depende da vontade das pessoas”, disse.


“Temos que terminar com a ideia de que as coisas são simples e que as pessoas que estão lá são banqueiros. Fui economista-chefe [do Itaú] e vendi todas as minhas ações quando sai”.

Fonte: Folha Online — 26/02/2018

Compartilhar: