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18/10/2018 Sophia Camargo 1.766 leituras

Um terço dos consumidores não sabe quanto gasta no cartão

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra ainda que, em agosto, 25% não conseguiram pagar a fatura cheia Desemprego e queda da renda preocupam consumidores


Um terço dos consumidores que usaram cartão de crédito em agosto não sabe quanto gastou e 25% não conseguiram pagar a fatura cheia e entraram no rotativo, mostra o Indicador de Uso do Crédito apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).


Entre os que se lembram o valor que desembolsaram, a fatura média foi de R$ 882. Dos entrevistados, 74% pagaram o valor integral da fatura, mas este percentual cai para 64% nas classes C e D.


O levantamento constatou ainda que metade dos tomadores de empréstimos e financiamentos atrasaram, em algum momento, parcelas da dívida, sendo que 21% ainda estão com prestações pendentes.


Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a falta de disciplina no controle do orçamento acaba provocando uma desoganização tamanha que, em muitos casos, o consumidor precisa recorrer a renegociações que levam muitos meses para quitar, comprometendo parte do orçamento por um bom tempo.


"Uso do crédito exige cuidado e não pode funcionar como complemento da renda" Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil


Dificuldade em ter crédito


A sondagem mostra também que quatro em cada dez consumidores recorreram a algum tipo de crédito em agosto, número próximo da média dos últimos 12 meses.


A modalidade mais mencionada foi o cartão de crédito, citado por 35%. Em seguida, aparece o crediário (9%), o limite do cheque especial (7%) e os empréstimos (6%).


Mais da metade (52%) dos entrevistados afirmam encontrar dificuldade em obter empréstimos e financiamentos. Quem mais sofreu foram os consumidores das classes C e D.


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Corte de gastos é meta


A pesquisa avaliou a disponibilidade de cortar gastos e constatou que, para 55% dos entrevistados, a meta é diminuir as despesas em relação ao mês de agosto. Outros 36% sinalizaram manter o mesmo nível de gastos e apenas 5% relataram ter intenção de aumentar as despesas.


A principal razão para os cortes está ligada aos preços elevados praticados no mercado (33%). Os entrevistados citaram outros fatores:


— intenção de economizar (30%)


— desemprego (20%)


— endividamento (14%)


— queda da renda (12%)


— desejo de fazer reserva financeira (11%)


— gastos maiores no mês anterior (9%)


Sem dinheiro pra poupar


A pesquisa ainda mostra que oito em cada dez consumidores (82%) estão no limite do orçamento, sendo que 44% mostraram-se no zero a zero e 38% no vermelho — sem recursos suficientes para pagar todas as contas.


Os principais motivos foram preços altos (49%), queda da renda (25%), perda do emprego (23%) e descontrole dos gastos (13%)


Metodologia


A pesquisa abrange 12 capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais. A amostra, de 800 casos, foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.

Fonte: R7 — 17/10/2018

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