Metade deles ainda não sabe se vai comprar algum produto e diz que a decisão dependerá de uma oportunidade (lê-se preço) que valha a pena. O evento acontece na sexta-feira (27).
Os resultados constam de levantamento do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) Brasil e da CNDL (confederação nacional dos lojistas), com 1.794 pessoas, entre 29 de outubro e 11 de novembro.
Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC, chama a atenção o fato de 34% dos entrevistados que compraram no evento em 2014 terem a intenção de comprar ainda mais neste ano, mesmo com o país em crise. A intenção de aumento de gastos é maior entre as pessoas de renda menor.
"Não adianta sair comprando e esquecer que os juros do cartão de crédito estão em 414% ao ano [segundo dados de setembro do Banco Central]", diz a economista, ao destacar que 37% informaram que usarão cartão.
O tempo médio para quitar a compra será de seis meses, e o gasto médio informado pelos consumidores que pretendem participar do evento é de R$ 1.007 –valor superior aos R$ 856 do ano passado.
A desconfiança em relação aos preços é confirmada por outro estudo feito para a Folha pela dunnhumby no Brasil, empresa especializada em ciência do consumidor.
Dos 450 entrevistados (classes A e B), 54% não acreditam nos descontos da Black Friday, 18% desconfiam e somente 28% acreditam que os descontos sejam realmente interessantes. Eles responderam de 6 a 10 de novembro, período próximo ao evento.
NO TOPO
Apesar do ceticismo dos brasileiros, o país está entre os "Top 5" da Black Friday no mundo, segundo outro estudo internacional da empresa. A dunnhumby analisou o interesse de consumidores de 34 países pela data, a partir de sites buscadores de internet em que foram digitadas as palavras "Black Friday".
O Brasil aparece no ranking ao lado de EUA, Reino Unido, Canadá e Romênia. No ano passado, apareceu entre os seis primeiros da lista. Em 2013, o Brasil apareceu pela primeira vez na lista dos cinco países com maior interesse nessa data.
"Apesar de o Brasil ser um dos últimos países a ′adotar′ o evento, já aparece entre os cinco em que as pessoas têm maior interesse na data", diz Adriano Araújo, diretor-geral da dunnhumby no Brasil.
Em 2010, os consumidores fizeram buscas com o tema com seis semanas de antecedência. Em 2014, com nove semanas. Neste ano, as buscas começaram com dez semanas de antecedência. "Mesmo mais céticos, 57% acreditam que a data pode ajudar nas compras de final de ano", diz.
Fonte: Folha Online — 24/11/2015