O ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse que a epidemia é pior do que se acreditava, já que em 80% dos casos as pessoas infectadas não apresentam sintomas. À medida que o vírus se espalha do Brasil, outros países nas Américas também provavelmente terão casos de bebês com microcefalia ligados ao Zika, segundo especialistas.
A Organização Pan-Americana da Saúde afirma que o Zika vírus já se espalhou em 24 países e territórios nas Américas.
A designação da OMS foi recomendada por um comitê de especialistas independentes da agência da Organização das Nações Unidas (ONU), após críticas sobre uma resposta hesitante até agora. A decisão deve ajudar a acelerar ações internacionais e de pesquisa. "Os integrantes do comitê concordaram que a situação reúne as condições para uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. Eu aceitei este conselho", disse Chan.
A OMS declarou na semana passada que o Zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, estava se "espalhando de forma explosiva" e pode infectar até 4 milhões de pessoas nas Américas e 1,5 milhão no Brasil. A agência foi criticada por reagir muito lentamente à epidemia do Ebola na África Ocidental, que matou mais de 10.000 pessoas, e prometeu melhorar em futuras crises de saúde global.
O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), Thomas Frieden, disse que a declaração "convoca o mundo a agir" sobre o Zika. Derek Gatherer, professor da Universidade de Lancaster, afirmou que a decisão da OMS é "como uma declaração de guerra, neste caso contra o vírus Zika". O comitê de emergência de regulamentações internacionais de saúde da OMS reúne especialistas em epidemiologia, saúde pública e doenças infecciosas das Américas, Europa, Ásia e África.
O Zika vírus levantou questões em todo o mundo sobre se mulheres grávidas devem evitar países infectados. Chan disse que adiar viagens é algo que as gestantes "podem considerar", acrescentando que, se elas precisam viajar, devem tomar medidas de proteção pessoal, cobrindo-se e usando repelente de mosquitos.
Fonte: Portal do Consumidor — 02/02/2016