São mercadorias importadas que dependem da liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas que, devido à falta de funcionários, seguem paradas no aeroporto, gerando prejuízo para as empresas.
Entre os medicamentos estão insulinas adquiridas pelo próprio governo federal, além de remédios para câncer e reprodução humana, anticorpos para vacinas, tubos para exames clínicos (inclusive dengue) e sondas.
Alguns desses produtos estão no terminal desde dezembro. Segundo empresas, o atraso, no início do ano, chegou a 70 dias.
Atualmente, são sete funcionários para avaliar 4.500 licenças de importação. Segundo importadores, a equipe da Anvisa no local já chegou a ter dez funcionários. Mas o ideal, ainda de acordo com as empresas, seriam 20.
O problema começou há um ano, quando alguns servidores se aposentaram. Os importadores afirmam que os problemas se repetem, com menor gravidade, nos aeroportos de Cumbica, em São Paulo, e do Galeão, no Rio.
A Anvisa diz que, para minimizar os atrasos, tenta agilizar a liberação dos produtos com a realização de forças-tarefas –funcionários de outros lugares são deslocados temporariamente para lá.
Já foram organizadas duas forças-tarefas, uma em 2015 e outra no começo deste ano.
A direção do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em Campinas e a própria concessionária de Viracopos, a Aeroportos Brasil, já avisaram que vão à Justiça para obrigar a Anvisa a agilizar a liberação.
Para a Abimed (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Saúde) e o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos de São Paulo), o prazo razoável para liberação das mercadorias seria de até sete dias.
PREJUÍZOS
Julio Gândara, diretor da multinacional 3M do Brasil, afirma que o faturamento da empresa foi afetado por causa dos atrasos. A empresa, cuja fábrica fica próxima ao aeroporto, em Sumaré (SP), teve que aumentar os estoques e praticamente dobrou os custos com armazenagem.
A Bioclin, uma das gigantes em diagnósticos in vitro do país, afirmou que prefere pagar mais caro e usar o aeroporto de Confins (MG) para evitar problemas com a liberação da mercadoria.
O aeroporto internacional de Viracopos é o segundo maior em importação de cargas. Os produtos que precisam de vistoria da Anvisa –perecíveis e ligados à área da saúde (humana e animal)– representam cerca de 10% do total importado pelo aeroporto.
Segundo Carlos Alberto Alcântara, assessor de relações institucionais da Aeroportos Brasil em Viracopos, os prejuízos à concessionária vão desde os gastos extras para armazenar as mercadorias até a perda de clientes.
outro lado
A Anvisa não respondeu sobre a falta de funcionários. Ela informou que novas forças-tarefas serão feitas até 8 de abril em Viracopos e que trabalha na transferência definitiva de seis servidores para o aeroporto "nos próximos meses".
Fonte: Folha Online — 08/03/2016