Segundo números inéditos da Serasa Experian, mais da metade dos 8,13 milhões de companhias em operação em abril tinha ao menos uma dívida em atraso. No total, o valor devido por essas 4,42 milhões de empresas (54,4% do total) é de R$ 105,6 bilhões.
O levantamento da Serasa, empresa de informações para empresas e consumidores nas áreas de crédito, marketing e consulta de dados, passou a ser feito mensalmente em março deste ano. Antes, era feito a cada três meses, aproximadamente.
A Serasa considera inadimplência qualquer conta vencida e não paga. Em março deste ano, o percentual de empresas inadimplentes era de 53,9% –4,37 milhões de empresas em um universo de 8,10 milhões de operacionais.
Em março de 2015, eram 50,5% nessa situação –3,79 milhões de 7,51 milhões de empresas operacionais.
A porcentagem é vista como um "sinal vermelho" por Luiz Rabi, economista da Serasa, e supera a dos consumidores: 41% da população adulta no Brasil, ou 60 milhões de inadimplentes.
SEM CAIXA
Com o consumo retraído pelo aumento do desemprego e a alta da inflação, as companhias deixam de vender e não conseguem dimensionar o problema e ajustar os pedidos aos fornecedores.
A menor entrada de receita e alta dos custos, que inclui juros mais altos a pagar, provoca problemas de caixa.
A inadimplência também restringe o acesso a crédito das companhias. "Se nada for feito, pode gerar quebradeira de empresas", diz Rabi.
O risco é que elas acabem em recuperação judicial, quando a empresa pede prazo para negociar com os credores. De janeiro a maio, os pedidos cresceram 95% em relação ao mesmo período de 2015 –755 ante 387.
PERFIL
A grande maioria das empresas inadimplentes (cerca de 90%) é de pequeno e médio porte. Do total, 45,2% são do setor de comércio e 45% do setor de serviços.
Cerca de 48,5% delas têm quatro dívidas ou mais, segundo a Serasa. As companhias com entre dois e cinco anos respondem por 37% do total de inadimplentes.
PERSPECTIVA
A inadimplência das empresas sempre começa cair um pouco antes da do consumidor, diz Rabi, da Serasa. "A queda deve começar a acontecer no segundo semestre de 2017, se as medidas econômicas derem certo", diz.
João Carlos Natal, consultor do Sebrae-SP, também vê diminuição do calote a partir de 2017, com a melhora do desemprego e a volta do consumo. Já Emilio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo, também atrela a queda na inadimplência à alta do consumo.
Fonte: Folha Online — 09/06/2016