Na comparação com os três meses anteriores, o lucro recorrente do banco cresceu 8%, ajudado pelo avanço de 6,6% nas receitas com serviços e pela queda de 19% das despesas para perdas de calotes de clientes. O banco também viu crescimento de 14,3% na recuperação de créditos no período. Essa é a primeira divulgação de resultados que consolida os resultados do Itaú com o CorpBanca. A fusão foi concluída em 1º de abril deste ano.
Segundo o diretor de relações com investidores do Itaú, Marcelo Kopel, o crescimento na receita de serviços, especialmente de conta-corrente, é fruto do esforço do banco em oferecer mais serviços ao cliente.
Na prática, desde o trimestre passado, os grandes bancos vêm mostrando um esforço maior para fidelizar clientes e enquadrá-los em perfis de conta com tarifas mais altas. A estratégia ajuda a compensar a queda nas receitas de empréstimos.
A carteira de crédito do Itaú, incluindo avais e fianças, recuou 5,8% no segundo trimestre, para R$ 573,003 bilhões. Na comparação com o primeiro trimestre, a queda foi de 4,6%.
A margem financeira, principal fonte de receita do banco, recuou 3,7%, para R$ 16,58 bilhões em comparação com o segundo trimestre do ano passado. Ante o primeiro trimestre, a queda foi de 4,7%.
O banco viu a taxa de inadimplência subir de 3,5% no primeiro trimestre para 3,6% no segundo. No mesmo período de 2015, o índice era de 3%. Apesar disso, a provisão líquida para perdas do calote de clientes caiu 23% no segundo trimestre frente aos três meses anteriores, para R$ 5,365 bilhões.
Kopel afirmou que a taxa de inadimplência de grandes empresas ainda deve subir no próximo trimestre.
Ele destacou que no indicador entre 15 e 90 dias, uma única empresa respondeu pelo crescimento da taxa de 1,5% para 2,3%. Essa essa mesma empresa constará em atraso acima de 90 dias no próximo trimestre, mas que a perda já está completamente provisionada.
O Itaú Unibanco informou ainda que a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio, que mede como o banco remunera seus acionistas, foi de 20,6% no segundo trimestre, alta de um ponto percentual na medição sequencial, mas queda de 4,2 pontos percentuais sobre um ano antes.
REVISÃO
Assim como o Bradesco, o Itaú, maior banco privado do país, cortou suas projeções de desempenho para este ano.
A queda estimada para a carteira de crédito total foi revisada para o intervalo de 5,5% a 10,5%. Antes, o recuo previsto era de 0,5% a 4,5%.
A expectativa para provisões para perdas com calotes também cresceu. O banco agora prevê despesas de R$ 23 bilhões a R$ 26 bilhões, contra projeção anterior de R$ 22 bilhões a R$ 25 bilhões.
O Itaú anunciou ainda proposta de pagamento de bonificação aos acionistas a ser feito via aumento de capital de R$ 12 bilhões.
BONIFICAÇÃO
Segundo o Itaú Unibanco, a bonificação aprovada pelo Conselho de Administração na véspera, que será submetida à assembleia de acionistas, servirá para "aumentar a liquidez das ações em decorrência do ajuste do valor de sua cotação no mercado".
A proposta envolve um aumento de capital de R$ 12 bilhões por meio da emissão de 598,4 milhões de ações, das quais 304,7 milhões serão papéis ordinários e 293,7 milhões preferenciais.
A distribuição será feita à razão de uma nova ação para cada 10 detidas pelos investidores. As ações em tesouraria do banco também serão bonificadas, segundo a proposta. O Itaú Unibanco informou ainda que os dividendos mensais serão mantidos em R$ 0,015 por ação.
Fonte: Folha Online — 02/08/2016