Em um estudo conduzido ao longo de quase um ano, o economista comportamental George Loewenstein e seus colegas decidiram contrapor as nossas intuições românticas e a realidade crua e nua. Em um primeiro momento, eles questionaram alunos de graduação que estavam em um relacionamento como eles esperavam sentir caso terminassem o namoro – e então eles esperaram.
Ao longo da duração do estudo, alguns dos entrevistados terminaram seu relacionamento, dando a oportunidade para os pesquisadores entenderem como eles se sentiram de fato.
A realidade foi muito diferente: os términos não foram, nem de longe, tão sofridos e traumáticos quanto eles haviam previsto. O sofrimento foi menor do que o esperado – tanto em termos de intensidade quanto de prazo. Não é que os estudantes não sofreram: eles apenas sofreram bem menos do que tinham imaginado.
Agora você deve estar se perguntando: por que renomados economistas decidiram pesquisar sobre o coração partido de universitários? O interessante do estudo é que ele revela quão ruim somos para prever a nossa felicidade. O que entra em jogo aqui é a nossa capacidade de adaptação a qualquer situação, que é muito maior do que imaginamos. Seja um divórcio ou a perda do emprego, sempre imaginamos que vamos sofrer muito mais do que sofremos na realidade. Em outros termos, tendemos a superestimar nossas perdas.
O interessante é que o inverso também é verdadeiro: tendemos a superestimar a nossa felicidade. Quem nunca achou que todos os seus problemas seriam resolvidos se ganhasse na loteria, encontrasse o amor da sua vida ou conseguisse o emprego dos seus sonhos? A realidade é que todos estes fatos podem sim trazer muita alegria. No entanto, logo nos adaptamos a eles e eles viram algo corriqueiro, que faz parte do nosso dia-a-dia.
Por isso, antes de sofrer por antecipação com as inevitáveis mudanças que a vida nos traz, pare para pensar sobre como você já enfrentou (e se adaptou a) eventos muito mais complicados no passado. Isso nos ajuda a ter um pouco de perspectiva – e a lembrar que conseguimos nos adaptar a tudo. Até mesmo a um coração partido.
Post em colaboração com a jornalista Carolina Ruhman Sandler
Fonte: G1 — 18/08/2016