Um dos "pratos" sugeridos foi criado pelo rapper Kendrick Lamarr. A rede patrocina um dos grandes festivais de música independente americanos, o Sweetlife, que reúne astros que vão de The Pixies a Blondie, de Grimes a Flume. As 13 filiais na cidade (eram apenas quatro há um ano) vivem com filas.
Mirando um público jovem e descolado –o "hipster"–, a Sweetgreen é a mais badalada rede do filão que mais cresce entre restaurantes de comida rápida nos Estados Unidos, o das saladas.
Redes como Chop′t, Fresh & Co, Just Salad e Freshii não param de crescer nas áreas urbanas do país. A Just Salad tem 21 filiais só em Nova York. A Sweetgreens saltou de 30 restaurantes em 2014 para mais de 70 neste ano e já recebeu mais de US$ 100 milhões de investidores, do fundo de Steve Case, fundador da AOL, ao chef de cozinha Daniel Boulud.
A rede Freshii, sediada em Chicago, estuda abrir seu capital em bolsa de valores até o fim do ano. Já foi avaliada em cerca de US$ 1 bilhão. Possui 350 lanchonetes, muitas instaladas em campi de universidades americanas e em filiais da rede de supermercados Target, e é a primeira dessas redes americanas a abrir filiais na América Latina, em Bogotá e Santiago.
"Nossa missão é fazer os americanos comerem melhor, tirar a salada das margens para ser o centro da refeição", diz o presidente da Chop′t, Nick Marsh. "Era um fenômeno das grandes cidades nas costas, agora estamos crescendo no interior, como Virginia, Maryland", afirma.
A rede Saladworks, com cem locais franquiados, já está presente em 15 Estados americanos.
CHIPOTLE
Em entrevistas à mídia americana, muitos fundadores dessas redes admitem que o modelo que os inspira é o da gigante Chipotle, rede criada em Denver, Colorado, que faz refeições rápidas levemente inspiradas na cozinha mexicana. Ela tornou-se um sucesso por se dizer orgânica e com ingredientes frescos, contra os congelados e industrializados que dominam as redes de hambúrguer.
A Chipotle faturou US$ 4,5 bilhões no ano passado em seus 2.000 restaurantes. Já tem filiais no Canadá e no Reino Unido.
"O sucesso dessas redes de saladas é o outro lado da crise que abate McDonald′s e similares nos EUA. Os mais jovens das grandes cidades americanas são muito conscientes com a comida", afirma Shelly Banjo, analista de varejo da Bloomberg Gadfly.
"Mas elas terão o mesmo problema que já atinge Chipotle e a rede Whole Foods, que também serve saladas com sucesso", alerta a analista. "Há saturação no mercado, e não é barato ter acesso e armazenar comida fresca, especialmente em cidades distantes de áreas agrícolas. Elas vão precisar de mais fornecedores se quiserem crescer no interior e no Sul".
Parte do marketing dessas redes é justamente trabalhar diretamente com agricultores. "Nós não dizemos aos fornecedores ′plante isso ou plante aquilo′", afirma um dos fundadores da Sweetgreen, Nicolas Jammet, à revista "Fast Company".
"Perguntamos o que cresce na região, em que estação do ano, e nossos cardápios se adaptam". Até na escolha dos peixes que são servidos, como alternativa proteica, a rede tem buscado outros tipos de peixe além da popular dupla salmão e atum.
Nos locais de decoração "hipster", com paredes de quadro-negro ou com intervenções de artistas convidados, mobiliário de madeira reciclada e chão de concreto aparente, as refeições verdes saem entre US$ 7 e US$ 13 (o dobro de uma refeição no McDonald′s americano).
A rede do Big Mac já percebeu o avanço da concorrência saudável. Em várias lanchonetes, avisa que usa carnes "livres de antibióticos"."
Fonte: Folha Online — 25/09/2016