Segundo assessores, Temer avalia que o governo precisa dar demonstrações de força nos próximos dias, o que inclui aprovar no início da próxima semana o teto dos gastos públicos em segundo turno na Câmara dos Deputados, para sinalizar que "nada muda" e a "vida segue normalmente".
Nesta quinta-feira (20), Temer se reunirá com o núcleo político do Palácio do Planalto e deverá discutir os efeitos da prisão na pauta de votações do Congresso Nacional.
O receio é que, como o peemedebista tem influência sobretudo sobre o chamado "centrão", ele possa estimular traições na base aliada como uma forma de recado ao governo federal.
Na próxima terça-feira (25), o Palácio do Planalto pretende votar em segundo turno no Câmara dos Deputados a proposta do teto de gastos públicos, considerada fundamental pelo presidente para recuperar a economia nacional.
Para evitar traições, o presidente atuará pessoalmente a partir desta quinta-feira (20) junto aos deputados federais. No final de semana, ele pretende telefonar para parlamentares governistas e, na segunda-feira (24), véspera da votação, se reunirá no Palácio do Planalto com os líderes da base aliada.
O presidente já orientou sua equipe mais próxima a mobilizar a base aliada para garantir quorum elevado na Câmara na segunda-feira (24) e, com isso, assegurar a aprovação da proposta de emenda constitucional que cria o teto com um placar elevado.
A meta do governo é tentar obter mais votos do que na votação em primeiro turno, quando a medida foi aprovada com o apoio de 366 deputados.
Temer foi informado da prisão de Eduardo Cunha na volta de sua viagem ao Japão, de onde saiu na quarta-feira (19) antes de a Polícia Federal prender o ex-presidente da Câmara.
Assessores presidenciais reconhecem que a prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados gera "apreensão" no Palácio do Planalto, mas dizem que isto não pode alterar o "ânimo" do governo num momento fundamental de aprovação de medidas que vão permitir a retomada do crescimento da economia.
Antes mesmo de ser preso, Eduardo Cunha já vinha mandando recados para o Palácio do Planalto, levantando suspeitas sobre o secretário-executivo do Programa de Parcerias do Investimento, Moreira Franco, um dos mais próximos assessores de Michel Temer.
Um auxiliar do presidente disse à Folha que o governo não pode ficar sofrendo por antecipação e que é preciso ter sangue frio neste momento. Segundo ele, ninguém sabe exatamente o que Eduardo Cunha pode falar numa eventual delação premiada e, inclusive, se ela pode ser realmente negociada pelo Ministério Público.
Fonte: Folha Online — 20/10/2016