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08/11/2016 Matheus Gagliano 2.339 leituras

Crise faz diarista dobrar carga de trabalho, diz IBGE

Crise faz diarista dobrar carga de trabalho, diz IBGE

Pesquisa aponta que número de domésticas com carteira assinada caiu em quatro anos

Brasília - A  crise econômica que o país atravessa tem sido responsável por mudanças no trabalho doméstico. Quem exercia a atividade em apenas uma casa, agora trabalha em duas. Dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) Contínua, do IBGE, mostra que desde 2012 houve redução de 4% no número de trabalhadoras domésticas em uma só casa, ao passo que a fatia das que trabalham em mais de um local cresceu 12,5%.

A levantamento aponta também que a presença das diaristas aumentou entre o total de trabalhadores domésticos. No segundo trimestre deste ano, elas representavam 26,8% do total de empregados domésticos, mais do que os 25,3% que eram há um ano. O resultado é três pontos percentuais acima do registrado no segundo trimestre de 2012.

Migração

De acordo com o presidente do Instituto Doméstica Legal, Mario Avelino, do ano passado para cá, a crise financeira contribuiu com cerca de 60% dos casos de migração de emprego. Isso porque atingiu todas as classes sociais como um efeito dominó, ou seja: muitos empregadores perderam o emprego e tiveram que cortar despesas. A demissão de empregadas domésticas acabou sendo uma das soluções para reduzir custos.

Para Avelino, a crise financeira contribuiu com cerca de 60% dos casos de migração de emprego
Divulgação
“Quando ocorre a perda do emprego, a primeira providência é demitir a doméstica. Mas algumas vezes, a família ainda tem demanda pela mão de obra, então opta por substituí-la por uma diarista”, explicou ele.

Avelino explicou que a entrada em vigor da legislação que impõe obrigações trabalhistas para as domésticas acabou por elevar o custo da mão de obra. “Empregados tinham custo de 12% do salário mas depois passou a até 20%. Então gerou muito estresse, ficou caro ter empregadas domésticas e de fato houve demissões”, diz.

O presidente do instituto disse, porém, que a contratação de diaristas ilude o empregador por acreditar que possa sair mais barato. Ele explicou que muitas vezes as famílias têm até duas diaristas e o custo equivale ao da doméstica legalizada.

"Ter uma doméstica com carteira assinada é tão caro. Ao passo que ter empregadas informais pode trazer prejuízo com pagamento de indenizações, se for o caso”, afirma.

Trabalhadora tem que ter direito assegurado, adverte sindicato

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio, Carli Maria dos Santos, ressaltou que a crise tem feito com que muitas empregadas procurem atuar em mais de uma residência. Ela ressaltou que o sindicato não é contra essa prática, desde que a trabalhadora tenha todos seus direitos assegurados, como recolhimento de FGTS, INSS, férias, 13º salário, jornada semanal de 44 horas de trabalho e benefícios como vale transporte, previstos na Lei Complementar 150, sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff, em junho do ano passado.

“Existem casos em que a doméstica trabalha em duas casas. Trabalha três dias em uma casa e completa mais dois dias em outra. Se o empregador assinar a carteira de trabalho, não tem problema nenhum”, ressaltou.

O que ela chama atenção para a dupla jornada é o fato de o esforço acabar trazendo prejuízos para a saúde das trabalhadoras. “Muitas vezes não adianta porque o dinheiro ganho mal dá para garantir a saúde. Mas as que conseguem, têm os direitos garantidos”, completou.

Carli explicou que o sindicato faz negociação entre a doméstica e o empregador, tentando promover reuniões entre as partes para evitar demanda judicial.

Fonte: O Dia Online — 07/11/2016

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