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10/04/2018 Luiz Guilherme Gerbelli e Darlan Alvarenga 1.431 leituras

Moody's muda perspectiva da nota do Brasil de negativa para estável

Agência de classificação de risco reafirmou nota do país em Ba2, citando expectativa de que próximo governo fará reformas fiscais e de crescimento econômico mais forte.
A agência de classificação de risco Moody's melhorou a perspectiva de nota de crédito do Brasil de negativa para estável. A nota do Brasil foi reafirmada em Ba2, em um movimento contrário ao tomado pelas demais agências de classificação de riscos e que surpreendeu os economistas.


A agência deu duas razões principais para a mudança na nota:


1.Expectativa de que as reformas fiscais serão aprovadas no próximo governo;
2.Crescimento econômico do país mais forte que o esperado no curto e médio prazo.



"A Moody’s acredita, em resumo, que os riscos negativos para o crescimento e as incertezas relacionadas ao ímpeto para reformas, que levaram à atribuição da perspectiva negativa para o rating Ba2 em maio do ano passado, diminuíram", disse a agência, em comunicado.


A Moody's é uma das 3 maiores agências de classificação de riscos, instituções que avaliam as contas de países e empresas e atribuem uma nota de crédito. Quanto melhor a nota, mais seguro é o investimento - e consequentemente menor será o juro cobrado pelos investidores para, por exemplo, investir em títulos de dívida de um país.
Reformas fiscais
Em relatório que justificou sua decisão, a Moody’s disse que "espera que o próximo governo trabalhe efetivamente com o Congresso para aprovar de uma reforma da Previdência que seja suficientemente abrangente, de forma a conter o crescimento de despesas obrigatórias e assegurar o cumprimento do teto constitucional".
A agência disse que "há um consenso entre líderes políticos de que os custos políticos e econômicos do não cumprimento com o teto de gastos são muito elevados para serem ignorados".
Crescimento acima do esperado
A agência projeta um crescimento médio do PIB de 2,8% em 2018 e 2019 e de 2,5% nos anos seguintes. A queda dos juros, o aumento da demanda por crédito e perspectivas melhores no mercado de trabalho vão sustentar um ambiente econômico mais favorável, segundo a Moody's.


Esse crescimento acima do esperado deverá dar ao governo "suporte aos esforços reformistas", avalia a Moody's.


Para a agência, o crescimento é resultado das reformas já aprovadas pelo governo de Michel Temer desde 2016, como a reforma trabalhista e a redução dos subsídios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


"De maior significância para a resiliência econômica do Brasil, as reformas estruturais aprovadas pelo governo Temer desde 2016 devem sustentar as perspectivas de crescimento do país no médio prazo", disse a Moody's.
Rebaixamento por outras agências
A posição da Moody’s vai na contramão da decisão tomada pelas agências Standard &Poor’s e Fitch, que rebaixaram a nota do Brasil neste ano.


A S&P foi a primeira a rebaixar neste ano a nota do Brasil. O corte foi anunciado no dia 11 de janeiro. Além da dificuldade em aprovar reformas com efeitos de longo prazo, a agência destacou ainda que "ocorreram retrocessos até mesmo com medidas fiscais de curto prazo - como uma determinação para suspender o adiamento dos reajustes de salários dos funcionários públicos".


Já o rebaixamento feito pela Fitch foi anunciado em 23 de fevereiro, com a agência citando "a alta crescente da dívida pública e o fracasso em reformas legislativas que melhorariam o desempenho estrutural das finanças públicas".
Perda do grau de investimento
O Brasil está há mais de 2 anos sem o grau de investimento. A S&P foi primeira a tirar o selo de bom pagador do país, em setembro de 2015, ação que foi seguida pelas outras duas grandes agências internacionais, Fitch e Moody's.


Com os rebaixamentos anunciados neste ano, a nota do Brasil recuou para o patamar de 2005. O país conquistou o grau de investimento pelas agências internacionais Fitch Ratings e Standard & Poor’s pela primeira vez em 2008. Em 2009, conseguiu a classificação pela Moody's.

Fonte: G1 — 09/04/2018

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