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01/06/2018 Fabio Serapião 1.847 leituras

'Ninguém mais vai subir ou descer', diz áudio atribuído a empresário preso por locaute

Vinicius Pellenz, dono da empresa de logística Irapuru, foi detido após a greve dos caminhoneiros


BRASÍLIA - O primeiro preso por suposta prática de locaute durante as manifestações de caminhoneirosé o empresário Vinicius Pellenz, dono da empresa de logística Irapuru de Caxias do Sul (RS). A Justiça Federal decretou a prisão temporária de Pellenz baseada na possível prática de atentado a liberdade do trabalho, ameaça e associação para o crime.


O Estadoteve acesso a um áudio atribuído ao empresário com suposta ameaça a caminhoneiros que continuavam a trabalhar após o início da greve.


- Ô nego, para teus caminhão ali. Vieram falar aqui que ali no Alto Feliz tu tá andando com milho. Não leva milho, não faz nada para a Agrosul - diz o áudio creditado ao empresário.


Em outro trecho da gravação, distribuída em grupos de WhatsApp utilizados pelos grevistas, o empresário manda um caminhoneiro parar os caminhões.


- Os guris já estão ligados. Tem uns caras escondidos nos morros das batatas ali pra cima. Agora, ninguém vai mais subir e ninguém vai descer. Para os caminhão.


Em seu site, a Irapuru diz ser "reconhecida como um dos mais modernos e bem equipados operadores logísticos do país, dedicando seus serviços à movimentação e armazenagem de carga em todo território nacional, Argentina e Uruguai".


A empresa tem sede em Caxias do Sul (RS) e filiais em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Espírito Santo e Distrito Federal.


Operação.Deflagrada na manhã de ontem, operação Unlocked [Desbloqueado], teve como objetivo reprimir a prática de locaute em rodovias do Rio Grande do Sul. Ilegal no Brasil, esse tipo de paralisação é promovida por empresários para atender aos seus interesses.


Segundo a PF, mais de 60 policiais federais cumpriram três mandados de busca e apreensão nos municípios de Vale Real e Caxias do Sul, e um de prisão temporária em um condomínio de luxo em Xangrilá.


O crime, ainda de acordo com a PF, teria ocorrido nas rodovias RS-122, RS-452 e BR-116, na região dos municípios de Bom Princípio, Feliz e Vila Cristina, no Rio Grande do Sul.


O Estadoligou para os telefones disponíveis no site da Irapuru, mas não foi atendido. A reportagem também procurou o advogado Lúcio de Constantino, que defende o empresário, mas também não obteve resposta.

Fonte: Estadão — 31/05/2018

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