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13/12/2018 Tássia Kastner Maeli Prado 1.453 leituras

Taxa básica dos juros caminha para maior período em baixa histórica

Na última reunião no governo Michel Temer, comitê do Banco Central mantém Selic em 6,5% ao ano


Na última reunião do ano, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, pela sexta vez consecutiva, manter os juros básicos em 6,5% ao ano, patamar que deve se manter até o segundo semestre do próximo ano.


Se esse cenário realmente se mantiver na próxima reunião, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, que sai do cargo em março, entregará ao seu sucessor, Roberto Campos Neto, uma taxa Selic no nível mais baixo da história e por mais tempo nesse patamar.


No comunicado que acompanha a decisão, tomada nesta quarta-feira (12), o comitê reafirmou que o cenário atual pede a manutenção da taxa Selic no nível vigente. Salientou que o patamar da inflação está em nível "apropriado e confortável".


"O comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente se encontram em níveis apropriados ou confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária."


Essa tranquilidade com a variação de preços no governo Michel Temer transparece nas projeções dos analistas ouvidos pelo BC no boletim Focus: a maioria acredita que os juros só voltarão a subir em setembro de 2019, para 7% ao ano.


O principal risco a esse cenário é se o novo governo der, ao longo do ano que vem, alguma sinalização de revés para a reforma da Previdência.


"Se o governo desistir da reforma, por exemplo, é o tipo de coisa que pressiona o dólar e, consequentemente, a inflação", exemplifica o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, da consultoria Schwartsman & Associados e colunista da Folha.


Como faz todos os meses, o BC voltou a frisar no comunicado do Copom a necessidade de reformas.


"O comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia", diz o documento.


A perspectiva de uma longa estabilidade da taxa básica é consequência da combinação de inflação controlada e atividade econômica fraca.


"É muito difícil enxergar a atividade em um nível que pressione os preços antes de 2021", afirma José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.Ele lembra que antes do primeiro turno, os analistas ouvidos pelo BC projetavam alta da Selic já em maio do próximo de 2019.


A vitória de Jair Bolsonaro (PSL) e de seu guru econômico Paulo Guedes, que prioriza a reforma das aposentadorias, empurrou essa expectativa do mercado para o último trimestre de 2019.


"A melhora é baseada na expectativa de mudança na situação fiscal", avalia Gonçalves. "Em meados do ano que vem, vai ser um momento importante para fazer um balanço: se o lado fiscal estiver bem encaminhado, as estimativas atuais farão sentido. Se não, a alta dos juros básicos pode vir um pouco antes."


No caso do cenário externo, há o risco dos efeitos políticos e econômicos de uma guerra comercial entre Estados Unidos e China. Em caso de aumento de tarifas de importação, por exemplo, a inflação americana pode subir, assim como os juros básicos.


"Trump tem dado sinais de que vai dar trabalho em 2019 por estar acuado no Congresso, precisando dar uma resposta sobre a guerra comercial que não passe a imagem de perdedor", afirma o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.


"Esse cenário de instabilidade tende a depreciar as moedas emergentes, o que pode se agravar se a reforma não andar", diz.

Fonte: Folha Online — 12/12/2018

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