O Toyota Yaris Cross deveria ter chegado ao mercado em junho de 2018. Naquele mês, a montadora japonesa lançou as versões hatch e sedã do modelo de mesmo nome, que não fizeram o sucesso esperado em um mercado que abraçava os SUVs compactos.
Essa foi a primeira conclusão que surgiu ao dirigir o novo utilitário esportivo. Suas características básicas estão muito próximas das encontradas em modelos que estrearam naquela época, ou antes, como Hyundai Creta (2016), Honda HR-V (2015) e Volkswagen T-Cross (2019).
Há, contudo, um diferencial que nenhum concorrente direto disponibiliza: versões com a tecnologia híbrida flex em seu modo pleno, que possibilita rodar por alguns quilômetros sem queimar combustível e ainda usar etanol.
A combinação preza pelo baixo consumo, como mostram os números do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). A média urbana com álcool no tanque ficou em 13,2 km/l, número só possível com a eletrificação. Em breve, o SUV da Toyota vai passar pelo teste Folha Mauá.
O primeiro contato ao volante ocorreu no autódromo Capuava, em Indaiatuba (interior de São Paulo). Não foi o melhor cenário para se dirigir um carro híbrido com 111 cv de potência combinada, mas a Toyota ainda tem limitações para produzir e disponibilizar os veículos.
Em setembro, um fenômeno climático definido como microexplosão atmosférica destruiu a fábrica de motores da marca, em Porto Feliz, interrompendo o fornecimento para a planta de Sorocaba. Ambas as cidades ficam no interior de São Paulo.
Apesar da baixa potência, a versão híbrida não pareceu tão lenta na reta do autódromo. O câmbio automático do tipo CVT trabalhou bastante para manter o ritmo, o que fez o ruído da transmissão invadir a cabine.
A Toyota colocou cones no circuito para simular desvios rápidos de trajetória. O Yaris Cross se comportou bem, sem sustos.
A direção leve e a maciez do banco também agradaram, mas faltou o apoio para o pé esquerdo do motorista. É uma falha difícil de ser justificada, já que se trata de um item presente em todos os concorrentes diretos.
A tela da central multimídia tem dez polegadas e é fácil de ser utilizada, apesar de pequena diante do padrão adotado principalmente por concorrentes chineses. O interior, no geral, é sóbrio e um tanto antiquado, com forrações escuras.
No banco traseiro, há espaço de sobra para dois adultos, sendo essa uma das principais qualidades do carro. A opção testada, XRX Hybrid (R$ 189.990), tem teto solar panorâmico, outro ponto positivo diante de concorrentes como o Honda HR-V (a partir de R$ 166,4 mil), que não oferece esse item em nenhuma versão.
Será necessário dirigir o Yaris Cross no mundo real e em outras configurações —seu preço parte de R$ 149.990 na versão 1.5 flex— para se ter ideia do potencial de mercado. Nesse primeiro contato, os pontos fracos se sobressaíram, e o principal é a sensação de se tratar de um produto que, embora novo, parece ser mais antigo que alguns rivais que estão há tempos no mercado.
Fonte: Folha Online